Após confusão, deputados de esquerda e direita desembarcam juntos na Capital
Após protagonizarem ou testemunharem um dos episódios mais conturbados do ano na Câmara dos Deputados, parlamentares de direita e esquerda desembarcaram no mesmo voo, na manhã desta quinta-feira (7), no Aeroporto Internacional de Campo Grande. A chegada ocorreu 12 horas após a sessão marcada por empurra-empurra, acusações de agressão física e protestos que tomaram conta do plenário em Brasília. A deputada federal Camila Jara (PT) foi um dos nomes diretamente envolvidos na confusão.
Depois de ser acusada de empurrar o colega, ela voltou a afirmar ter sido atingida por uma cotovelada do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) durante o tumulto e diz ter apenas reagido. “Na hora do empurra-empurra, o Nikolas me deu uma cotovelada e eu empurrei ele de volta. Acho que ele desequilibrou quando o Hugo [Motta] levantou com a cadeira”, declarou, reforçando que o foco deveria ser no diálogo e na votação da proposta que trata da isenção do Imposto de Renda.
Do outro lado, o deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS) acusou a parlamentar de agressão. “Ela deu um murro no saco dele”, afirmou à imprensa. Segundo Nogueira, o PL já encaminhou um pedido de investigação ao Conselho de Ética.
Camila rebateu: “O Nikolas tem que decidir se quer ser um representante do Brasil ou um fraco que mente. Estou tranquila, porque eles é que infringiram o regimento ao obstruírem a sessão”. Presente no mesmo voo, o veterano Geraldo Resende (PSDB) se afastou da polêmica, mas não poupou críticas ao atual ambiente no Congresso Nacional.
“Hoje, o lugar mais tóxico que existe é o plenário da Câmara. Já são seis mandatos e nunca vi nada tão desqualificado”, disparou. Segundo ele, enquanto os colegas brigavam, ele estava em reuniões para viabilizar investimentos como a entrega de um acelerador linear para o tratamento de câncer no Estado.
Também na comitiva, o deputado Dagoberto Nogueira (PSDB) lamentou a imagem transmitida. “Fica parecendo que somos um bando desorganizado, divididos, brigando… Isso fere a democracia”, avaliou.
Apesar do clima tenso herdado da confusão em Brasília, os parlamentares desembarcaram em Campo Grande para um compromisso mais propositivo: o seminário estadual do PNE (Plano Nacional de Educação), realizado nesta quinta-feira na Assembleia Legislativa. A relatora da proposta, deputada Tabata Amaral (PSB-SP), está percorrendo os estados para ouvir a sociedade civil e coletar sugestões que subsidiarão o novo plano. “Educação ainda não dá voto no Brasil, mas é ela que vai mudar o futuro do país.
Precisamos transformar isso em um esforço nacional com metas claras, prazos e responsabilidade dos municípios, estados e da União”, afirmou. Tabata foi escolhida por unanimidade para relatar o novo PNE, que deve ser votado até setembro na Câmara dos Deputados. Ela ressaltou que a proposta busca corrigir falhas do plano anterior, cujas metas não foram cumpridas na última década.
“O objetivo é sair da promessa e garantir um plano ousado, mas possível, que valorize professores, o ensino técnico e a inclusão.” O deputado Dagoberto, que coordenou o seminário, reforçou o apoio à relatora. “Ela é fruto da educação e tem total compromisso com esse tema. Aqui em Mato Grosso do Sul temos entidades fortes e essa escuta será fundamental para construir um plano democrático e efetivo”, disse.
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