O plano da Microsoft para data centers não deixarem contas de luz mais caras

O plano da Microsoft para data centers não deixarem contas de luz mais caras

A Microsoft anunciou um plano para evitar que a expansão de seus data centers de inteligência artificial (IA) eleve o custo da energia para cidadãos nos Estados Unidos. A iniciativa, batizada de “Community-First AI Infrastructure”, vem num momento de pressão política e social sobre o consumo energético massivo das big techs.

O presidente dos EUA, Donald Trump, usou suas redes sociais para anunciar que outras gigantes do setor devem seguir o mesmo caminho. O objetivo é garantir que as empresas de tecnologia “paguem sua própria conta”.

Microsoft propõe pagar tarifas mais altas para conta não pesar no bolso do cidadão americano

O plano da Microsoft foca num modelo de tarifação diferenciada, no qual a empresa solicita às concessionárias e comissões públicas que suas taxas sejam elevadas. Essa abordagem visa isolar o impacto financeiro da infraestrutura de IA, impedindo que o custo de novas subestações ou linhas de transmissão seja diluído nas faturas residenciais. Em estados como Wyoming e Wisconsin, parcerias com fornecedores locais já testam estruturas tarifárias voltadas para “clientes muito grandes”.

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Iniciativa da Microsoft, batizada de “Community-First AI Infrastructure”, vem num momento de pressão política e social sobre o consumo energético massivo de data centers (Imagem: Framalicious/Shutterstock)

A Microsoft justifica a decisão reconhecendo que, embora a IA traga benefícios econômicos, é politicamente inviável pedir que o público financie essa evolução. A demanda de energia dos data centers americanos pode triplicar até 2035, atingindo 640 terawatts-hora anuais, o que coloca pressão inédita sobre a rede elétrica. Para mitigar isso, a Microsoft se comprometeu a colaborar de forma transparente com as concessionárias. Entre os gestos, estão compartilhar projeções de consumo e contratar energia com antecedência.

Além do custo financeiro, a companhia busca eficiência tecnológica ao utilizar a própria IA para otimizar o resfriamento de seus servidores. A estratégia inclui o apoio ao desenvolvimento de novas fontes, como a energia nuclear, fundamental para manter o fornecimento constante sem comprometer as metas de sustentabilidade. O setor de tecnologia agora corre contra o tempo para garantir que a revolução da IA tenha combustível suficiente para crescer sem gerar crises de abastecimento.

Trump reforçou que a Microsoft é apenas a primeira de várias empresas que devem adotar essa postura de responsabilidade fiscal energética. O republicano disse que não deseja ver americanos pagando contas mais altas por causa do desenvolvimento tecnológico de terceiros. Essa pressão da Casa Branca acelera um pacto da indústria, que já envolve nomes como Amazon e Google na busca por soluções que não onerem o contribuinte.

A estratégia de “boa vizinhança” serve também para destravar projetos que enfrentam resistência local devido ao medo de inflação nos serviços básicos. Pelo menos 25 projetos de data centers foram cancelados recentemente nos EUA após protestos de comunidades preocupadas com o impacto ambiental e financeiro.

Plano amplia investimentos em treinamento e recursos hídricos

Além da energia, o compromisso da Microsoft abrange o gerenciamento de água, recurso crítico usado no resfriamento dos data centers. A meta é melhorar a eficiência do uso hídrico em 40% até 2030, investindo em projetos de reposição que devolvam para as bacias locais mais água do que a consumida. Em regiões áridas como o Arizona, a empresa já atua na reparação de vazamentos em sistemas municipais para preservar o abastecimento da população.

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A demanda de energia dos data centers americanos pode triplicar até 2035, o que coloca pressão inédita sobre a rede elétrica dos EUA (Imagem: Gorodenkoff/Shutterstock)

A estratégia econômica também foca na criação de valor direto por meio de treinamento profissional e apoio a serviços públicos essenciais. A companhia prometeu não solicitar isenções de impostos sobre a propriedade. Isso deve garantir que a arrecadação ajude a financiar escolas, hospitais e bibliotecas, por exemplo. Programas de capacitação serão implementados para formar tanto trabalhadores da construção civil quanto operadores de longo prazo para os novos data centers.

O foco no desenvolvimento social tenta equilibrar a balança em cidades onde a presença de grandes galpões de tecnologia é vista com ceticismo. Ao oferecer treinamento em habilidades de IA em parceria com escolas e organizações sem fins lucrativos, a Microsoft tenta integrar a mão de obra local à nova economia digital. O objetivo é que o data center não seja apenas uma construção isolada, mas um motor de empregabilidade e inovação para os moradores do entorno.

Brad Smith, presidente da Microsoft, enquadra essa expansão como o próximo capítulo da história da infraestrutura americana, comparável às grandes ferrovias ou redes elétricas do passado. Ele defende que, embora toda inovação gere controvérsia inicial, ela é vital para a liderança global dos Estados Unidos no setor de tecnologia. Para isso, a transparência no uso de recursos naturais torna-se o novo padrão exigido tanto por reguladores quanto pelo mercado consumidor.

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A companhia planeja exportar esse modelo de “Infraestrutura de IA com a Comunidade em Primeiro Lugar” para suas operações globais nos próximos anos. A ideia é criar um protocolo de atuação que possa ser replicado em diferentes legislações, adaptando-se às necessidades hídricas e energéticas de cada país.

(Essa matéria também usou informações de CNN e The New York Times.)

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Fonte: https://olhardigital.com.br/2026/01/14/pro/o-plano-da-microsoft-para-data-centers-nao-deixarem-contas-de-luz-mais-caras/

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