Verticalização do milho: nossa blindagem contra crises

Verticalização do milho: nossa blindagem contra crises
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O agronegócio brasileiro vive um momento de amadurecimento que vai muito além das fronteiras das fazendas. Se por décadas fomos celebrados como o “celeiro do mundo” pela capacidade de exportar grãos brutos, o cenário global atual exige mais do que isso. O Brasil precisa assumir um novo papel: o de potência bioindustrial. A palavra de ordem agora é verticalização.

O risco de instabilidades em mercados consumidores tradicionais, como o Irã, um dos compradores do milho brasileiro em grão, acende um alerta importante. Depender exclusivamente do escoamento do grão in natura é caminhar no fio da navalha das tensões geopolíticas. Basta um conflito, uma sanção ou uma mudança de rota comercial para que o mercado se desorganize.

É nesse ponto que surge a importância estratégica de “moer o milho” dentro de casa.

Na minha trajetória acompanhando os desafios do campo e os gargalos da nossa logística, percebo que a segurança do produtor não nasce apenas da porteira para dentro, mas também da inteligência estratégica do país. Não podemos ficar reféns de decisões tomadas em Teerã, Pequim ou Chicago. Precisamos construir mecanismos que protejam o valor do que produzimos, e a industrialização é um dos mais eficazes.

O escudo dos preços internos

A lógica é simples e poderosa. Ao transformar o milho em etanol e outros coprodutos dentro do Brasil, criamos um verdadeiro “piso” para as cotações.

Em vez de despejar o excedente de safra no mercado internacional e ver o preço cair por excesso de oferta, as usinas de biocombustíveis absorvem parte relevante dessa produção. Essa moagem interna funciona como um regulador natural de estoques, ajudando a manter o valor pago ao produtor mais estável e menos vulnerável às oscilações externas.

Em outras palavras: industrializar é proteger renda no campo.

Etanol e eficiência energética
Diferentemente da cana-de-açúcar, que segue o ciclo de safra e entressafra, o milho pode ser armazenado. Isso permite que as usinas operem praticamente 365 dias por ano.

Essa previsibilidade cria escala industrial e abre espaço para exportações constantes de etanol para mercados exigentes, como Coreia do Sul, União Europeia e Estados Unidos, que buscam combustíveis com menor pegada de carbono para cumprir suas metas ambientais.

Ou seja, o milho brasileiro deixa de ser apenas alimento e passa a ser também energia renovável competitiva no mercado global.

A força do DDG: nutrição de alta performance

Mas o fechamento dessa equação estratégica vai além do combustível. O grande trunfo da industrialização atende pela sigla DDG (grãos secos de destilaria). A recente abertura do mercado chinês para esse farelo brasileiro elevou o patamar do setor, permitindo que o Brasil exporte nutrição animal de alto valor agregado — e não apenas matéria-prima.

No processo de destilação, os nutrientes do milho são concentrados, resultando em um farelo com cerca de 30% de proteína, amplamente utilizado na alimentação de bovinos, suínos e aves.

O resultado é uma transformação silenciosa, mas profunda: o milho que antes saía do país como commodity passa a sair como energia, proteína e tecnologia industrial.

Ao final da cadeia, o Brasil não entrega apenas grãos ao mundo. Entrega valor agregado, eficiência produtiva e segurança alimentar, consolidando sua posição como um dos grandes pólos globais de energia renovável e proteína animal.

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*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


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