Quando até os gigantes renegociam: Raízen, GPA e o peso dos juros altos no Brasil

Quando até os gigantes renegociam: Raízen, GPA e o peso dos juros altos no Brasil
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Nos últimos dias, os pedidos de recuperação extrajudicial da Raízen e do GPA (o Grupo Pão de Açúcar) viraram o assunto da vez. E, como sempre acontece quando a palavra “recuperação” aparece, muita gente já associa o termo a uma empresa quebrada ou à beira da falência. Mas a realidade é um pouco mais estratégica do que isso.

O que estamos vendo não é um colapso, mas um movimento de autodefesa. Existe uma diferença crucial que precisamos pontuar: na recuperação judicial, a empresa geralmente já perdeu o fôlego para negociar e recorre ao juiz para não fechar as portas. Já na extrajudicial, o caminho é outro. A empresa senta à mesa com os credores, ajusta as contas “no fio do bigode” e depois só pede para a Justiça carimbar o acordo.

“É uma negociação organizada para atravessar o deserto antes que a água acabe.”
No caso da Raízen, o cenário é de expansão. Eles investiram pesado em bioenergia e transição energética — setores que exigem muito capital. O problema é que o mundo mudou no meio do caminho. Quando você pega dinheiro emprestado para crescer e os juros disparam, a conta do financiamento corre muito mais rápido do que o lucro que o projeto entrega.

No GPA, o drama é o do varejo tradicional: consumo morno e margens apertadas. O erro clássico de muitos negócios foi investir com dinheiro barato lá atrás e ter que pagar a fatura com os juros estratosféricos de agora.

Mas o que esses dois gigantes nos contam sobre o Brasil de hoje? Eles são a “ponta do iceberg” de um ambiente de capital caríssimo que está asfixiando todo mundo. E esse reflexo já chegou com força no agronegócio.

Eu vejo muitos produtores rurais na mesma armadilha. Nos últimos anos, o campo se modernizou, comprou máquinas e expandiu áreas aproveitando o boom das commodities e o crédito fácil. Só que a roda virou. Hoje, com preços de grãos mais baixos em algumas frentes e custos de produção lá no alto, o fluxo de caixa começou a sangrar. Não é coincidência que o número de renegociações no agro esteja subindo.

“Quando o dinheiro é farto, todo mundo expande; quando o dinheiro fica caro, é hora de recolher as velas e reorganizar a casa.”

No fim das contas, estamos vivendo um ajuste de ciclo. Raízen e GPA não estão morrendo; estão se adaptando. O alerta real, no entanto, é para o país: quando até os gigantes precisam parar para renegociar o básico, fica claro que o custo do dinheiro deixou de ser apenas um detalhe contábil e se tornou o maior obstáculo para quem quer produzir e gerar emprego no Brasil. Esse é o debate que realmente importa.

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*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


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