De Shakespeare a imigração: como Oscar pode cair no vestibular e no Enem
A premiação do Oscar, que aconteceu no último domingo (15), oferece um panorama de produções cinematográficas que podem servir como material de estudo para estudantes em preparação para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e vestibulares.
A análise dos filmes permite aprofundar temas sociais, científicos e culturais. O inglês William Shakespeare (1564-1616), um dos autores mais recorrentes em vestibulares, teve sua vida retratada em “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”.
O filme, que conquistou o Oscar de Melhor Atriz para Jessie Buckley, por sua atuação como Agnes, aborda a história real do luto de uma família que perde um filho precocemente. A tragédia inspirou uma das obras mais conhecidas do autor, “Hamlet”.
Esta obra ressoa com instituições como a UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e a UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), que incluíram “Hamlet” em suas leituras obrigatórias em seus vestibulares. No caso da carioca, Shakespeare apareceu na última edição, aplicada em 2025.
Esta conexão demonstra como o cinema é atual e se torna uma ferramenta para a análise de temas sociais, científicos e culturais, ampliando o repertório para provas.
Luiz Cláudio de Araujo Pinho, sociólogo e autor da “Coleção de Sociologia” da rede Pitágoras, diz que filmes premiados em festivais e reconhecidos pelo mercado cinematográfico devem ser considerados como referências importantes para entender o mundo contemporâneo, em especial em ano que tem obra brasileira. O filme “O Agente Secreto“, de Kleber Mendonça Filho, foi indicado a quatro Oscars.
“A qualidade do cinema brasileiro, evidenciada por prêmios em Cannes e Berlim, aponta para uma tendência na educação. Cada vez mais os filmes devem ser considerados um forte repertório para a redação do Enem.”
Pinho diz que filmes premiados pelo Oscar e por outros festivais abordam questões centrais como conflitos geopolíticos, emergência climática, problemas sociais e ambientais, violência, cultura, padrões comportamentais, afeto e sexualidade. As produções também resgatam biografias de personagens importantes que mudaram a história e que nem sempre são lembrados.
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1 de 5O diretor Kleber Mendonça Filho volta à Universidade Federal de Pernambuco, onde se formou em jornalismo, para gravar “O Agente Secreto”, em 2024 • Divulgação/UFPE
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2 de 5Cena do necrotério no filme “O Agente Secreto” sendo gravada dentro da Universidade Federal de Pernambuco • Divulgação/UFPE
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3 de 5O diretor Kleber Mendonça Filho volta à Universidade Federal de Pernambuco, onde se formou em jornalismo, para gravar “O Agente Secreto”, em 2024 • Divulgação/UFPE
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4 de 5O diretor Kleber Mendonça Filho grava cena do tubarão no Departamento de Oceanografia, na UFPE, para o filme “O Agente Secreto”, em 2024 • Divulgação/UFPE
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5 de 5Cena de “O Agente Secreto” no pátio do Ginásio Pernambucano • Victor Juca/Divulgação
“Uma Batalha Após a Outra”, conta Tássia, é uma obra inspirada no romance “Vineland”, de autoria de Thomas Pynchon. Embora o longa vencedor de seis Oscars, incluindo de Melhor Filme, faça uma referência a outro momento históricos dos Estados Unidos, reflete realidade presente no governo de Donald Trump, especialmente em relação à questão dos imigrantes e às lutas sociais contemporâneas.
“Apesar de serem todos livros originalmente escritos em língua inglesa, todos possuem tradução para o português e tocam em temas universais”, diz Tássia.
Literatura no Oscar
A mestra em literatura brasileira, Tássia Hallais, afirma que no Oscar 2026 não faltaram exemplos de como o universo literário segue influenciando a sétima arte. “A paixão pelo cinema pode ajudar estudantes ao estimular o interesse pela leitura a partir de filmes inspirados em livros e aumentar o repertório destes sobre temas relevantes para redações de vestibular.”
Tássia cita a adaptação do clássico “Frankenstein”, de Mary Shelley, ao romance contemporâneo “Hamnet”, da irlandesa do norte Maggie O’Farrell, como exemplos do Oscar 2026.
Para Pinho, a linguagem do cinema é tão rica e capaz de produzir debates tão interessantes sobre estilos e maneiras de olhar para a realidade, que podem ser confrontadas com a arte, a pintura, a literatura, entre outras formas de narrar, gerando aprendizagens significativas para os estudantes.
“Professores e escolas podem promover sessões de cinema, fazendo da atividade de ver filmes um rico processo de troca onde os próprios estudantes possam expressar as emoções que sentiram e detalhes, que podem iluminar aspectos que nem sempre são percebidos por todos.”
A edição de 2026 do Oscar apresentou filmes alinhados a eixos temáticos relevantes para o estudo, que permitem uma análise aprofundada de momentos históricos e sociais, segundo Pinho.
Confira abaixo a análise abaixo:
- Eixo 1: ciência, ética e tecnologia
Filmes como “F1”, “Frankenstein”, “Bugonia” e “O Agente Secreto” abordam os limites da ciência, a manipulação da informação e os riscos da biotecnologia. Estes temas se conectam com conteúdos de ética, moral, filosofia da ciência, bioética e sociologia da tecnologia, utilizando linguagens do cinema de ficção científica, literatura clássica e gótica (Mary Shelley), inovações técnicas e debates contemporâneos sobre inteligência artificial. - Eixo 2: arte, memória e identidade
“Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”, “Pecadores” e “Valor Sentimental” exploram a influência da arte na vida, a memória como construção identitária e a cultura dos afetos. Os conteúdos incluem história da arte e da música, literatura (Shakespeare) e psicologia da memória, com linguagens que abrangem narrativa poética, biografia e drama intimista.
“Se podemos dizer que ‘Ser ou não ser’ é uma questão que rodeia a humanidade desde o início dos tempos, são angústias da autoconsciência o terreno fértil que leva à criação artística, seja no cinema, no teatro, na literatura ou mesmo no ballet, que assim como a literatura, segue importantíssimo tanto no Oscar quanto na vida real”, afirma Tássia. - Eixo 3: conflitos, lutas e movimentos sociais
Filmes como “Marty Supreme”, “Sonhos de Trem”, “Uma Batalha Após a Outra”, “Pecadores” e “O Agente Secreto” tratam de guerra e violência, dilemas éticos, desigualdade social, movimentos sociais, lutas sociais, trabalho e identidade, racismo e xenofobia.
Estes temas se relacionam com conteúdos de história contemporânea, filosofia moral e sociologia do trabalho, por meio de linguagens como realismo social, drama histórico e a representação de atores políticos na história.
A forma de estudar filmes para o Enem, segundo Pinho, envolve a articulação de propostas entre professores de diferentes áreas, com atividades colaborativas e apresentações de trabalhos em equipe.
“A sala de cinema é um mergulho pessoal através de sons e imagens. A sala de aula, lugar para desvendar as ideias e propostas dos diretores, além de compartilhar impressões deixadas pelos atores e atrizes que sempre nos encantam”, afirma Pinho.
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