JBS inaugura centro de biotecnologia para desenvolver ‘superproteínas’

A JBS inaugura nesta quarta-feira (1º), em Florianópolis, Santa Catarina, a JBS Biotech, centro de biotecnologia avançada dedicado ao desenvolvimento de ciência aplicada à cadeia produtiva, para criar e agregar valor à produção de alimentos.
A unidade atua em saúde animal, nutrição de precisão e desenvolvimento de proteínas funcionais e alternativas, elevando o padrão competitivo da cadeia de proteína animal.
Instalado no Sapiens Parque, o complexo é liderado pela engenheira química Fernanda Berti, doutora em Desenvolvimento de Processos Químicos e Biotecnológicos, e foi estruturado para atuar desde a pesquisa inicial até a validação de novas tecnologias para aplicação industrial.
Com estrutura de mais de 4.000 metros quadrados dedicados à pesquisa e desenvolvimento, a JBS Biotech conta com mais de 20 laboratórios altamente especializados, projetados segundo padrões internacionais de qualidade e segurança operacional.
A atuação da unidade abrange todo o ciclo de desenvolvimento tecnológico, da ciência básica e biologia molecular à engenharia, simulação de dados e validação de resultados.
“A JBS Biotech é capaz de desenvolver desde proteínas funcionais – as chamadas superproteínas – até novas soluções em ingredientes que contribuam para produtos mais saudáveis. Mas, mais do que produzir um item final, nosso objetivo é desenvolver tecnologia, acelerar provas de conceito e abrir caminhos para futuras aplicações em escala industrial”, destaca o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni.
“Estamos entrando em uma nova fronteira, em que é possível entender o potencial dos alimentos proteicos em nível molecular e desenvolver soluções com características nutricionais e funcionais sob medida para diferentes necessidades dos consumidores”, afirma Fernanda, CEO da JBS Biotech.
“Isso inclui o avanço da nutrição de precisão, com o desenvolvimento de ingredientes e proteínas desenhadas para modular respostas fisiológicas específicas, tanto em humanos quanto em animais”, completa.
Proteínas de alta qualidade
Segundo ela, no centro dessa iniciativa está o compromisso de oferecer ao consumidor proteínas de alta qualidade, ampliar o acesso a novas tecnologias de produção de proteínas e contribuir para a construção de um modelo produtivo cada vez mais eficiente.
A pesquisadora enfatiza que, na prática, isso abre caminho para proteínas de alta qualidade nutricional, ricas em aminoácidos essenciais, na proporção adequada ao consumo, além de propriedades funcionais específicas.
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Esses ingredientes podem ser desenhados para atuar de forma direcionada, desde ganho de massa muscular até suporte imunológico e desempenho metabólico, ampliando o conceito de nutrição tradicional para uma nutrição mais personalizada e baseada em ciência.
O conhecimento gerado também é aplicado na melhoria de produtos já existentes, ampliando qualidade e valor nutricional. Entre as frentes de pesquisa está o desenvolvimento de peptídeos e bioingredientes com potencial antioxidante e antimicrobiano, que podem contribuir para a redução de aditivos em alimentos e para o avanço de produtos com perfil clean label.
“Esta iniciativa nasce da nossa convicção de que ciência, tecnologia e inovação são essenciais para garantir a segurança alimentar em um mundo em rápida transformação”, completa Tomazoni.
Ciência aplicada à inovação industrial

O avanço da biotecnologia tem impulsionado o crescimento de setores estratégicos da economia global ao viabilizar produtos de alto valor agregado, associados à eficiência produtiva, à responsabilidade ambiental e à segurança alimentar.
Alinhado a esse cenário, o centro conta com uma estrutura que integra sequenciadores de última geração, análises moleculares avançadas, ciência de dados ômicos ‒ genômicos, proteômicos e metabolômicos ‒, além de capacidade completa para culturas celulares, de micro-organismos e de plantas. Tomazoni destaca que essa infraestrutura posiciona a JBS Biotech como um centro de excelência para inovação, reduzindo a distância entre ciência, indústria e consumidor.
Já Fernanda ressalta que a infraestrutura permite, por exemplo, o mapeamento detalhado de perfis biológicos e nutricionais, abrindo caminho para aplicações futuras em nutrição personalizada, em que necessidades individuais podem orientar o desenvolvimento de ingredientes e soluções proteicas específicas.
Um dos pilares dessa visão é a estruturação do biobanco, com armazenamento criogênico de amostras biológicas, que, aliado às capacidades de biotecnologia aplicada, protege e amplia a valorização de matérias‑primas da cadeia agroindustrial.
A JBS Biotech integra competências multidisciplinares que abrangem desde a ciência básica — como biologia, química e física — até a ciência aplicada — engenharia química, bioquímica, bioprocessos e ciência de alimentos — com o objetivo de otimizar processos produtivos convencionais e viabilizar a criação de novos processos tecnológicos.
De acordo com a companhia, essa base permite ao centro atuar tanto em inovação incremental, com melhorias em processos e produtos já existentes, quanto em inovação disruptiva, voltada à criação de novas soluções para a cadeia de alimentos.
Valor agregado à cadeia
Aprofundar o modelo de economia circular já consolidado pela JBS é outro eixo estratégico do centro. Pesquisas utilizam tecnologias de extração e bioconversão para transformar coprodutos em bioingredientes de maior valor agregado, como proteínas funcionais, suplemento alimentar e compostos bioativos.
“Mais do que o produto final em si, o grande valor da biotecnologia está no aprendizado científico que esse processo proporciona”, explica Tomazoni. “A geração contínua de conhecimento constitui um ativo estratégico que assegura propriedade intelectual, orienta decisões e sustenta a competitividade, ao conectar inovação às tendências de mercado, por exemplo as ‘superproteínas’, com potencial, inclusive, de melhorar produtos que já oferecemos.”
A cadeia produtiva permite aproveitar melhor os recursos gerados nos processos convencionas para atender diferentes setores, como de insumos e produtos farmacêuticos, cosméticos, médicos e de suplementos alimentares. “Estamos mapeando aquilo que hoje é tratado como subproduto para desenvolver novas aplicações industriais”, afirma Fernanda Berti.
Saúde animal e eficiência
A biotecnologia tem um papel cada vez mais relevante na saúde dos animais, ao apoiar o desenvolvimento de produtos veterinários seguros e eficientes, que se integram às práticas já consolidadas de manejo e cuidado nos diferentes sistemas de produção.
As pesquisas incluem o desenvolvimento de soluções nutricionais e bioativas que contribuem para a prevenção de doenças e melhoria do desempenho animal, reduzindo a necessidade de intervenções mais intensivas. Essas soluções contribuem para o fortalecimento das estratégias de prevenção e controle sanitário, apoiando o bem‑estar animal e a produção responsável de alimentos ao longo de toda a cadeia.
Segundo Fernanda, a biotecnologia contribui para a eficiência operacional da produção de proteína animal, ao auxiliar na organização de dados relacionados aos sistemas produtivos. O uso combinado de ciência de dados e biotecnologia permite maior precisão nas decisões, promovendo ganhos de produtividade, redução de perdas e uso mais racional de recursos.
Conforme ela, o uso de produtos veterinários desenvolvidos com base científica favorece a melhoria contínua dos processos, a redução de perdas e o uso mais racional de recursos, promovendo maior previsibilidade e eficiência sem abrir mão das boas práticas já adotadas pelo setor.
Nova etapa de investimento em biotecnologia

A inauguração do centro se conecta a iniciativas anteriores da companhia em biotecnologia, incluindo investimentos em proteína cultivada na Europa. Com o novo centro no Brasil, a empresa amplia sua capacidade de desenvolver soluções em diferentes frentes da cadeia de alimentos.
De acordo com a CEO da JBS Biotech, em um cenário de crescimento da demanda global por proteína e maior exigência por qualidade nutricional, o avanço da ciência em novos ingredientes proteicos amplia as possibilidades de desenvolvimento de alimentos com maior precisão nutricional e funcional.
“Nossa missão é tangibilizar o conhecimento biotecnológico”, resume Fernanda. “Queremos transformar ciência em soluções que gerem valor duradouro para a empresa e para a sociedade.”
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