Escorpiões respondem por mais de 65% dos acidentes com animais peçonhentos no Brasil

Escorpiões respondem por mais de 65% dos acidentes com animais peçonhentos no Brasil
interna2_RPF-escorpiao-colonia-2025-07-1140 Escorpiões respondem por mais de 65% dos acidentes com animais peçonhentos no Brasil
Foto: Antônio da Costa e José Felipe Batista/Comunicação Butantan

O Brasil registrou 225.695 casos de picadas por escorpiões em 2025. Segundo dados do Painel Epidemiológico do Ministério da Saúde, o aracnídeo foi responsável por mais de 65% dos acidentes com animais peçonhentos registrados no período.

Embora a maioria das ocorrências sejam leves (89%), as crianças são a população mais vulnerável: dos 265 óbitos registrados em decorrência do envenenamento – o dobro do ano anterior –, mais de 20% envolveram menores de 10 anos. 

Os números também revelam que as pessoas que se autodeclaram pardas foram as vítimas em 55% dos casos e em 62% das mortes, refletindo as desigualdades socioeconômicas que atingem esse público. 

Segundo dados do Painel Cor ou Raça no Brasil do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 56,8% da população parda e 16,1% da população preta vivem em favelas e comunidades urbanas.

Influência da infraestrutura e do ambiente

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Foto: Antônio da Costa e José Felipe Batista/Comunicação Butantan

Diante dos fatos, a ausência de infraestrutura é um dos pontos determinantes para a proliferação de escorpiões no meio urbano, zona que concentra mais de 66% dos acidentes.

O aracnídeo costuma ser encontrado em redes de águas pluviais e esgotos, ambientes propícios à multiplicação de baratas – seu principal alimento. Além disso, o acúmulo de lixo e entulhos complementa o cenário de risco.

No Brasil, o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) é o responsável pela maioria dos casos graves de envenenamento. Isso acontece devido, principalmente, à sua fácil capacidade de adaptação a ambientes antropizados, ou seja, que foram significativamente alterados pela ação humana.

Outro detalhe é que as fêmeas da espécie conseguem se reproduzir sozinhas, sem necessidade de acasalamento com um macho, por conta de um fenômeno conhecido como partenogênese – o que ajuda a explicar a rápida disseminação do animal.

Perfil das vítimas e distribuição dos acidentes

Em 2025, 51% das notificações envolveram pessoas do sexo feminino e 49% do sexo masculino. Entre as faixas etárias, destacam-se os adultos entre 20 e 29 anos, que somaram quase 34 mil registros ao longo do ano passado.

Entre as partes do corpo mais atingidas pelas picadas, estão:

  • Mãos e dedos: 41,26%
  • Pernas, pés e dedos dos pés: 36,9%

Geralmente, os acidentes ocorrem durante a execução de atividades domésticas ou no manuseio de objetos em quintais e depósitos, o que reforça a importância do uso de equipamentos de proteção individual, como luvas grossas e calçados fechados.

Em relação à localidade, há uma forte concentração de casos no Sudeste e no Nordeste, que juntos são responsáveis por mais de 83% das notificações. Considerando os números absolutos, São Paulo e Minas Gerais lideram o ranking nacional, com 50.178 e 42.635 notificações, respectivamente. 

No entanto, o maior impacto proporcional é em Alagoas, onde o coeficiente de incidência ultrapassa os 440 acidentes por 100 mil habitantes — parte desse número pode ser atribuída à ampla presença do escorpião-do-nordeste (Tityus stigmurus) na área.

Como agir em caso de picada por escorpião 

Fotos_Ampolas_Soros_Novos Escorpiões respondem por mais de 65% dos acidentes com animais peçonhentos no Brasil
Foto: Antônio da Costa e José Felipe Batista/Comunicação Butantan

O primeiro passo é procurar atendimento médico imediatamente após o acidente, mesmo que os sintomas iniciais pareçam leves, uma vez que os dados apontam que o tempo entre a picada e o atendimento médico é fator determinante para o desfecho clínico.

A taxa de letalidade salta de 0,10 entre os pacientes atendidos na primeira hora, para 0,13 entre os que demoraram de uma a três horas para receber o socorro. 

Também não se deve aplicar nenhum tipo de produto, nem realizar torniquete ou compressa de gelo no local, uma vez que o frio pode potencializar a sensação de dor. A recomendação é lavar o local com água e sabão e, se possível, aquecer a região com compressas mornas, que ajudam a aliviar o desconforto.

Apesar do grande número de picadas que ocorreram em 2025 no Brasil, pouco menos de cerca de 5% dos acidentados precisaram receber o soro antiescorpiônico ou o soro antiaracnídico – ambos utilizados para o tratamento de quadros moderados ou graves de envenenamento causado por escorpiões do gênero Tityus.

O Instituto Butantan produz os antivenenos e disponibiliza gratuitamente à população por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

*Sob supervisão de Victor Faverin

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Fonte: https://www.canalrural.com.br/diversos/escorpioes-respondem-por-mais-de-65-dos-acidentes-com-animais-peconhentos-no-brasil/

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