O nó do crédito: por que os produtores rurais não conseguem fechar as contas?

A cena se repete em escritórios e fazendas: a planilha não fecha. O Brasil vive uma asfixia financeira onde empresas que atravessaram crises passadas agora pedem socorro à Justiça.
O principal vilão é o custo do dinheiro, com a taxa Selic elevada drenando o caixa apenas para o pagamento de juros.
“Com os juros no topo, o lucro das empresas está sendo engolido pelas parcelas das dívidas.”
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No agronegócio, o cenário é de alerta máximo. O setor enfrenta o chamado “efeito tesoura”: de um lado, o preço das commodities caiu no mercado internacional; do outro, os custos de produção dispararam. Insumos essenciais, como fertilizantes e defensivos, sofreram altas expressivas, espremendo a margem de lucro de quem produz.
O combustível também pesa. A alta nos preços do diesel encarece todas as etapas, do plantio ao transporte da safra. Com o custo operacional subindo e a receita por saca vendida caindo, muitos produtores se viram sem fôlego para honrar financiamentos de máquinas e insumos.
“O custo para produzir subiu tanto que, mesmo com boa colheita, a conta final do produtor não fecha.”
O resultado é um salto nos pedidos de recuperação judicial no campo. Quando o produtor para de pagar, o impacto atinge revendas e o comércio local. Para o consumidor, o paradoxo continua: o produtor recebe menos, mas o preço no supermercado não cai na mesma proporção devido aos custos de logística e energia que seguem pressionados.
“A crise no campo gera um efeito dominó que vai do comércio de máquinas até o preço do prato feito.”
O cenário atual exige pé no chão. Sem um alívio real nos juros ou uma queda nos preços dos insumos, o “nó” das dívidas continuará apertado. A prioridade agora mudou: saiu a expansão agressiva e entrou a sobrevivência financeira.
Para muitos, a saída tem sido buscar renegociações emergenciais e o uso da recuperação judicial como ferramenta estratégica. O objetivo é ganhar fôlego para manter a engrenagem girando, aguardando o momento em que os custos de produção e o preço do crédito voltem a patamares suportáveis. A palavra de ordem hoje é gestão de crise.

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
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