Por que a economia cresce, mas o brasileiro não sente no bolso?

O Brasil vive hoje uma dualidade curiosa. De um lado, o governo celebra indicadores positivos: o desemprego está em patamares baixos e o PIB tem surpreendido positivamente.
Do outro, a popularidade da gestão Lula enfrenta resistência. O motivo? Existe um abismo entre a estatística oficial e a percepção real de bem-estar da população.
A raiz dessa insatisfação não é um mistério, mas sim um conjunto de fatores que “asfixiam” a economia real:
- A barreira dos juros: Mesmo com quedas graduais, a taxa de juros permanece em níveis que encarecem o crédito. Para a dona de casa que compra a prazo ou para o empresário que precisa investir, o dinheiro continua proibitivo.
- O peso do endividamento: o Brasil é hoje um país devedor em todas as esferas. O governo gasta fortunas com o serviço da dívida pública; as empresas lutam para honrar empréstimos antigos; e as famílias estão sufocadas pelo cartão de crédito e pelo cheque especial.
- Medidas de popularidade vs. necessidade: para tentar reverter a queda nas pesquisas, o governo foca em medidas de curto prazo, como subsídios pontuais. No entanto, o país carece de reformas que ataquem o custo estrutural de se viver e produzir no Brasil.
A solução: o pacto necessário (e difícil)
A saída para destravar esse ciclo passaria por um Pacto Nacional de Responsabilidade e Crescimento. Esse acordo, embora complexo devido à polarização, teria que envolver o Executivo, o Legislativo e o Judiciário em torno de três pilares:
- Corte de gastos estruturais: É preciso mostrar que o governo não gastará mais do que arrecada. Só a responsabilidade fiscal permite uma queda sustentável e definitiva dos juros.
- Alívio de crédito: programas agressivos de renegociação para empresas e famílias, com foco real na redução do “spread” bancário, devolvendo fôlego a quem produz.
- Segurança jurídica: um ambiente onde as regras sejam claras e respeitadas (papel crucial do judiciário) para atrair investimento privado de longo prazo, reduzindo a dependência dos gastos públicos.
Enquanto a política em Brasília foca apenas em narrativas e correções paliativas de popularidade, o “Brasil real” continuará sentindo o peso do endividamento. O país não precisa apenas de indicadores frios; precisa de uma economia que respire sem o balão de oxigênio do Estado. O pacto não é para salvar governos, é para salvar o futuro da nação.

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
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