O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), se mostra contrário à proposta do correligionário José Medeiros (PL), que defende a criação de uma trava para operações policiais durante o período eleitoral, com o objetivo de evitar contaminação política e prejuízos a candidatos. Para Abilio, pode ter havido um equívoco na forma como Medeiros se posicionou. Segundo ele, a crítica que deve ser feita é à transformação de ações policiais em “espetáculos”.
O prefeito reforça que as operações precisam ocorrer conforme a conveniência e a necessidade da polícia e do Poder Judiciário, mas pede bom senso. Abilio cita como exemplo a Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal no início de agosto. O liberal questiona a conduta dos agentes em relação ao ex-governador Mauro Mendes, que teve o passaporte apreendido em casa, além de uma ordem de busca e apreensão em uma empresa da família.
“O que é a nossa crítica principal? É transformar isso em espetáculo. Ou seja, foram lá na casa do cara [Mauro] só para pegar um passaporte. Aí eu, só para fazer mídia que foi na casa do cara. Tipo, você vai lá com uma operação da polícia, bate na casa do cara, seis horas da manhã, e chega lá e fala: me dá o seu passaporte. Qual a justificativa? Fez mídia? Fez vídeo, postou na internet, a polícia está lá na casa do cara”, disparou Abilio.
O prefeito ponderou que todos são passíveis de apuração, mas avaliou que, nesse caso, poderia ter sido solicitado a Mauro que levasse o passaporte à Polícia Federal. Segundo ele, o ex-governador poderia entregar voluntariamente o documento. Na sequência, Abilio afirma que teme nenhuma investigação em sua gestão e que mantém as portas abertas para que as polícias Civil ou Federal realizem o seu trabalho na Prefeitura de Cuiabá, caso necessário. “Nós não podemos transformar atos de investigação de situações que podem ter ocorrido, escândalos de corrupção, circunstâncias adversas, em espetáculo para o processo eleitoral. Essa é a grande crítica”, reafirmou sobre sua crítica à ações como Heritage.
Abilio frisou que, quando isso acontece, uma operação pode ser transformada seletivamente em um ato de publicidade eleitoral ou de publicidade negativa durante o processo eleitoral.
A operação
As investigações tiveram origem na análise de um acordo de R$ 308 milhões celebrado entre o Estado de Mato Grosso e uma empresa privada de telefonia, envolvendo a restituição de valores decorrentes de uma disputa tributária. Além de Mauro Mendes, entre os alvos está o ex-secretário da Casa Civil e deputado federal Fábio Garcia.
Segundo as investigações, há indícios de que a operação financeira tenha sido utilizada para viabilizar o desvio de recursos públicos superiores a R$ 308 milhões, por meio de uma estrutura financeira composta por fundos de investimento em cascata e pessoas jurídicas interpostas, com o objetivo de ocultar e dissimular a origem, a movimentação e a destinação dos recursos.
Os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada, sem prejuízo de outras infrações penais que venham a ser identificadas ao longo da investigação.