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Tarifaço dos EUA: entenda por que produtos brasileiros de tecnologia estão isentos

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Para evitar impactos internos, medida do governo Trump tem lista de isenção que cobre mais de 2 mil produtos, incluindo eletrônicos e alguns componentes.

Tarifaço dos EUA: entenda por que produtos brasileiros de tecnologia estão isentos

O tarifaço dos Estados Unidos contra produtos brasileiros foi oficializado nesta quinta-feira (16). A medida foi estabelecida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), órgão ligado diretamente à administração de Donald Trump.

Porém, apesar de atingir uma enorme variedade de matérias-primas, componentes e produtos prontos para venda, o imposto também inclui uma grande lista de exceção. São itens que, por vários motivos, ficam de fora das cobranças estabelecidas pelo governo dos EUA.

Composta por mais de 2 mil produtos, a seleção de isentos foi criada para abrigar itens que:

se sujeitas às tarifas adicionais propostas, "poderiam levar à indisponibilidade de oferta doméstica" de certos produtos;
poderiam causar "perturbações em toda a economia" se sujeitos a tarifas adicionais;
não podem ser cultivados ou produzidos em quantidades suficientes internamente ou de outras fontes;
incluem artigos para os quais "as tarifas adicionais podem não contribuir substancialmente para a eliminação dos atos" supostamente cometidos pelo Brasil.
Os itens isentos incluem carne bovina, peixes e outros frutos do mar, café, laranja, especiarias, vitaminas, uma série de medicamentos ou insumos para a indústria farmacêutica e fontes de energia (gás natural liquefeito e gasoso, por exemplo, ou querosene para motores a jato). O setor de aeronaves também contempla várias isenções de peças como tubos, juntas, cabos, propulsores e outros componentes.

Eletrônicos e produtos de tecnologia
A lista de isentos afeta também aparelhos que possam ser produzidos no Brasil e vendidos nos EUA.

A categoria "Máquinas automáticas portáteis para processamento de dados" inclui notebooks e tablets — tanto os convencionais quanto aqueles usados na logística e no varejo para ações como controle de estoque;
Também escapam da taxa smartphones, projetores, desktops e computadores vendidos completos (com monitor e teclado inclusos);
Também estão na lista scanners ópticos e leitores de códigos de identificação, circuitos impressos (tanto as placas quanto máquinas e aparelhos para a fabricação de semicondutores), aparelhos para fabricação de telas planas, painéis LCD, SSDs, transistores e LEDs.
De acordo com Arthur Igreja, especialista em Tecnologia e Inovação, esses eletrônicos nacionais até podem ser exportados para os EUA, mas isso acontece em volume pequeno e para segmentos específicos, que não representam tanto peso na balança comercial entre os dois países. Em outras palavras, eles se enquadram na quarta categoria listada pelo USTR.

Igreja pontua que a indústria brasileira é considerada cara para a produção de eletrônicos, mesmo tendo locais com benefícios tarifários para a montagem final, como a Zona Franca de Manaus. Dessa forma, os produtos montados por aqui tendem a circular mais pelo mercado interno do que competir em locais como os EUA.

Caso a situação fosse diferente e o país de fato se sentisse ameaçado por esses produtos, a situação poderia mudar. "Se fosse algo economicamente relevante para o Brasil, mas que não causasse impacto inflacionário nos Estados Unidos, provavelmente haveria uma tarifa pesada", argumenta o especialista.

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