Brasil não corre risco como a Venezuela, mas ação dos EUA gera incertezas, avalia especialista

A intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, abriu um novo capítulo de incertezas geopolíticas na América do Sul, mas, segundo o cientista político Leandro Gabiati, há sinais de continuidade institucional no país vizinho e impactos econômicos imediatos limitados para o Brasil.
A operação, considerada a mais intensa intervenção militar norte-americana na região em décadas, gerou forte reação internacional e foi classificada como uma violação da soberania venezuelana por países como Brasil, China e Rússia em reunião do Conselho de Segurança da ONU.
Continuidade política na Venezuela
Para Gabiati, mesmo diante de um cenário de instabilidade, a Venezuela teve um processo de transição política relativamente organizado no curto prazo.
“O que observamos nesses primeiros dias é uma certa continuidade político-institucional. A vice-presidente assumiu, parlamentares eleitos em 2025 foram empossados e os principais líderes do chavismo permanecem no poder”, afirmou o especialista, referindo-se aos movimentos institucionais após a operação americana na capital Caracas.
Segundo ele, isso indica que, apesar de choques no processo político, há forças internas que trabalham pela manutenção de alguma estabilidade imediata no país vizinho, pelo menos no curto prazo.
Impactos econômicos para o Brasil ainda são limitados
Sobre os efeitos econômicos dessa ação militar no Brasil, Gabiati avaliou que não devem ocorrer grandes mudanças de forma imediata no intercâmbio comercial bilateral ou na dinâmica de mercado entre os dois países.
“Apesar da instabilidade e da incerteza, preliminarmente no curto prazo não há grandes alterações para os produtores brasileiros”, disse o cientista político.
Soberania e nova postura dos Estados Unidos
O cientista político também chamou atenção para a questão da soberania e da atuação unilateral dos Estados Unidos na região. Ele destacou que a operação na Venezuela reflete um comportamento em que Washington age de forma independente em assuntos que tradicionalmente seriam mediadas por canais multilaterais.
“É evidente que os Estados Unidos passam a atuar na região de forma unilateral e podem tomar decisões similares em outros países, incluindo Colômbia e Cuba”, alertou o analista, sugerindo que o Brasil, apesar de ser uma grande democracia com posição diferente na região, não está imune a esse novo padrão geopolítico.
Direito internacional e instabilidade global
Gabiati criticou ainda o que chama de “letra morta” do direito internacional diante de ações unilaterais de grandes potências. Ele citou operações recentes, como a invasão russa à Ucrânia e a intervenção americana na Venezuela, além de outros episódios conflituosos, como o avanço de Israel em territórios disputados no Oriente Médio, como exemplos de um padrão geopolítico em que normas internacionais são desconsideradas.
“Esse novo padrão de atuação das grandes potências aumenta a imprevisibilidade e a incerteza, o que tende a ter efeitos negativos sobre a economia mundial”, afirma o especialista.
Cenário de incertezas
Para Gabiati, o Brasil, apesar de estar numa posição de maior estabilidade democrática e político-institucional, deve monitorar de perto os desdobramentos na Venezuela e a postura dos Estados Unidos na região, especialmente se houver novas intervenções ou expansões desse tipo de ação.
“Nesse novo cenário, aumentam tanto o nível de estabilidade quanto a incerteza”, disse.
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