Mostra inédita do cineasta Todd Haynes traz mais de 20 títulos no CCBB

O Centro Cultural Banco do Brasil recebe, de 14 de janeiro a 9 de fevereiro, no Rio de Janeiro, e de 21 de janeiro a 12 de fevereiro, em São Paulo, a mostra inédita do cineasta Todd Haynes, pioneiro do movimento New Queer Cinema e reconhecido por seu trabalho no cinema independente contemporâneo.

Com a curadoria de Carol Almeida e Camila Macedo, a mostra traz um total de 23 títulos, entre obras dirigidas por Haynes e filmes de outros realizadores que dialogam diretamente com sua filmografia. Além de mesas de debate, sessões comentadas, ações de acessibilidade, curso e o lançamento de um catálogo que reúne textos de pesquisadoras e pesquisadores brasileiros, incluindo uma tradução de um artigo de Mary Ann Doane (referência dos estudos fílmicos feministas), além de ficha técnica das obras, uma verdadeira fortuna crítica inédita sobre Haynes no Brasil. O catálogo será disponibilizado em versões impressa e digital.

Vencedor de importantes prêmios internacionais, como o Grande Prêmio do Júri em Sundance (1991), o Teddy Award em Berlim (1991), o Grande Prêmio do Júri em Veneza (2007) e a Palma Queer em Cannes (2015), Todd Haynes também foi indicado ao Oscar pelo roteiro de “Longe do Paraíso” (foto, 2002). Seu maior sucesso comercial, “Carol” (2015), recebeu seis indicações ao Oscar e se tornou um marco do cinema contemporâneo.

A Mostra Todd Haynes oferecerá ao público uma oportunidade rara de assistir na sala de cinema a obras fundamentais, muitas delas inéditas ou recentemente restauradas. Entre os destaques está “Assassinos: Um Filme sobre Rimbaud” (1985), segundo curta-metragem de Haynes, apresentado a partir de uma nova restauração, ao lado de outros títulos do início da carreira do cineasta.

A retrospectiva contará com 13 filmes do diretor que vão do experimentalismo à consagração internacional: “O Suicídio” (1978), “Assassinos: Um Filme sobre Rimbaud” (1985), “Veneno” (1991), “Dottie Leva Palmadas” (1993), “Mal do Século” (1995), “Velvet Goldmine” (1998), “Longe do Paraíso” (2002), “Não Estou Lá” (2007), “Carol” (2015), “Sem Fôlego” (2017), “O Preço da Verdade” (2019), “The Velvet Underground” (2021) e “Segredos de um Escândalo” (2023). Ao longo desse percurso, destacam-se atuações que se tornaram referências, como as colaborações constantes com Julianne Moore, as performances icônicas de Cate Blanchett em “Não Estou Lá” e “Carol” e a consagração de Rooney Mara como Melhor Atriz no Festival de Cannes por “Carol”.

Em diálogo com essa filmografia, a mostra apresenta 10 filmes de outros realizadores, escolhidos por sua relevância histórica e estética: “Jeanne Dielman” (1975, de Chantal Akerman), marco do cinema feminista; “O Medo Devora a Alma” (1974, de Rainer Werner Fassbinder), “Tudo o que o Céu Permite” (1955, de Douglas Sirk), ambos referências do melodrama; “Uma Mulher sob Influência” (1974, de John Cassavetes), expoente do cinema independente estadunidense; “Desencanto” (1945, de David Lean), clássico do cinema romântico britânico; “Canção de Amor” (1950, de Jean Genet), precursor do cinema homoerótico, além de ser o único filme dirigido pelo escritor Jean Genet; “Peggy e Fred no Inferno: o Prólogo” (1984, de Leslie Thornton); “Vento Seco” (2020, de Daniel Nolasco); “Jollies” (1991, de Sadie Benning) e “Primavera” (2017, de Fábio Ramalho).

Ao longo dessa trajetória, a mostra também evidencia a relação profunda de Todd Haynes com a música e a cultura pop, seja na investigação de ícones e mitologias musicais, como em “Velvet Goldmine”, “Não Estou Lá” e no documentário “The Velvet Underground”, seja na maneira como a música estrutura emoções, ritmos e atmosferas em seus filmes, Haynes mobiliza o universo musical como ferramenta narrativa e política.

Outro ponto que será investigado pelos filmes e ações formativas é o melodrama presente na filmografia do diretor e a relação com os melodramas brasileiros.

A programação da Mostra Todd Haynes se expande para duas mesas de debate, diversas sessões comentadas e um curso, reunindo pesquisadoras e pesquisadores, críticos e realizadores para aprofundar reflexões sobre cinema queer, melodrama, representação feminina e linguagem audiovisual. Além dos bate-papos, também haverá sessões comentadas, atividades de caráter mais intimista que propõem um bate-papo com o público, compartilhando leituras, contextos e reflexões a partir da obra exibida.

A proposta formativa da mostra inclui ainda o curso “Uma leitura da in/visibilidade lésbica a partir de Carol, de Todd Haynes”, realizado em dois encontros, que parte de um dos filmes mais emblemáticos do cineasta para pensar os códigos do cinema hollywoodiano e os processos de in/visibilidade lésbica na história do cinema narrativo, ampliando o diálogo entre a obra de Haynes, a crítica feminista e o cinema brasileiro contemporâneo.

A programação completa da mostra pode ser conferida em bb.com.br/cultura.

Mostra Todd Haynes
Data:
14 de janeiro a 9 de fevereiro (RJ) e 21 de janeiro a 12 de fevereiro (SP)
Entrada gratuita: ingressos disponíveis a partir das 9h do dia da sessão/atividade na bilheteria física ou site do CCBB (bb.com.br/cultura)
Locais: CCBB Rio de Janeiro – R. Primeiro de Março, 66 – Centro / CCBB São Paulo – Rua Álvares Penteado, 112 – Centro Histórico


Fonte: https://revistadecinema.com.br/2026/01/mostra-inedita-do-cineasta-todd-haynes-traz-mais-de-20-titulos-no-ccbb/

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