Redução de 500 mil toneladas de carne bovina à China expõe ano frágil ao pecuarista

O mercado físico do boi gordo apresentou preços de estáveis a mais baixos ao longo da semana nas principais praças de comercialização do Brasil. Enquanto isso, no atacado, o preço da carne deve diminuir.
De acordo com o analista de Safras & Mercado Fernando Iglesias, os frigoríficos estão tentando impor pressão, pensando principalmente nas questões que envolvem a salvaguarda chinesa.
O especialista detalha que o gigante asiático deve comprar cerca de 500 mil toneladas de carne bovina a menos do Brasil em 2026 e tal redução exige uma resposta do setor. “A resposta escolhida foi o aumento de capacidade ociosa. Assim, a ideia é reduzir o abate no Brasil este ano”, destaca.
O analista afirma que já havia uma perspectiva de diminuição da produção por conta da inversão do ciclo, mas que agora há uma outra perspectiva para incentivar este recuo.
“O mercado realmente está ficando mais pressionado e comedido, com as indústrias sem muito apetite na compra de gado. Estão, inclusive, mantendo um padrão de escala curto, pois é intencional ter um trabalho mais controlado”, aponta Iglesias.
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Além disso, o analista pontua que a arma do pecuarista neste momento para limitar a redução de preços do mercado é ter um pasto em boa condição, pois permite que ele retenha os animais.
“Outra coisa que observamos são as indústrias removendo a bonificação do boi para a China. Era pago um prêmio de 5 a 10 reais nessa categoria e estão começando a reduzir, então isso pode ser mais um desestímulo para entregar animais precoces dentro do mercado brasileiro”, concluiu.
Variação de preços na semana
Os valores da arroba do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 15 de janeiro:
- São Paulo (Capital): R$ 315, baixa de 2,48% em relação aos R$ 323 praticados no final da última semana;
- Goiás (Goiânia): R$ 315, estabilidade frente ao preço registrado no encerramento da semana passada;
- Minas Gerais (Uberaba): R$ 315, também inalterado frente ao valor praticado no fechamento da última semana;
- Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 305, queda de 3,17% frente aos R$ 315 registrados no período anterior;
- Mato Grosso (Cuiabá): R$ 295, recuo de 1,67% ante aos R$ 300 praticados na semana passada;
- Rondônia (Vilhena): R$ 280, similar ao preço registrado na última semana.
Mercado atacadista
Iglesias comenta que o mercado atacadista se deparou com preços acomodados, mas que possivelmente a semana que se inicia nesta segunda (19) terá uma virada nos preços.
“É muito provável vermos queda nas cotações no curto prazo. Até a semana passada estávamos observando um preço de Natal das proteínas. Com o período das festas se distanciando, começamos a viver outra realidade de cotações no atacado”, disse.
O analista pontua o fato de a carne suína e a de frango também estarem caindo. “Com isso, a minha expectativa é de que a carne bovina também caia neste período”, ressalta.
Iglesias lembra que o perfil de consumo nesta etapa do ano é mais comedido, priorizando o consumo de proteínas mais acessíveis, somando isso ao alto nível de endividamento médio do brasileiro com as contas típicas de início de ano.
- Quarto traseiro do boi: cotado a R$ 26,40 o quilo, inalterado ante a semana passada;
- Quarto do dianteiro do boi: vendido por R$ 19,00 o quilo, também sem alterações
Exportações de carne bovina
As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 493,806 milhões em janeiro até o momento (6 dias úteis), com média diária de US$ 82,301 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
A quantidade total exportada pelo país chegou a 89,307 mil toneladas, com média diária de 14,884 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 5.529,30.
Em relação a janeiro de 2025, houve alta de 99,7% no valor médio diário da exportação, ganho de 81,6% na quantidade média diária exportada e avanço de 10% no preço médio.
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