Após decisão do Parlamento Europeu, Alemanha defende e França critica acordo Mercosul-UE

A decisão do Parlamento Europeu de frear o acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul provocou reações divergentes entre líderes europeus durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Enquanto a Alemanha defende a entrada em vigor do pacto, a França reforça críticas, especialmente em relação aos impactos sobre a agricultura.
O primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou nesta quarta-feira (22), durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, que lamenta profundamente o congelamento do acordo pelo Parlamento Europeu. Segundo ele, o texto negociado é justo, equilibrado e representa um instrumento essencial para impulsionar o crescimento econômico europeu. Merz defendeu, inclusive, que o acordo seja colocado em vigor de forma provisória, como forma de acelerar seus benefícios.
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O líder alemão também criticou parlamentares europeus que questionaram a legalidade do pacto, assinado recentemente em Assunção, no Paraguai. Para Merz, não há alternativa viável ao acordo se a Europa quiser fortalecer suas relações comerciais internacionais e ampliar sua competitividade global.
Em posição mais cautelosa, a França reiterou seu apoio ao livre-comércio, mas alertou que a União Europeia não pode ser “ingênua” em relação aos riscos envolvidos. O ministro do Comércio francês, Nicolas Forissier, afirmou em Davos que o acordo Mercosul-UE traz ameaças relevantes à agricultura francesa, especialmente ao setor pecuário.
Segundo Forissier, não é aceitável firmar um acordo que coloque em risco a sobrevivência dos agricultores franceses. A França, afirmou o ministro, continuará defendendo o livre-comércio, porém com base na chamada preferência europeia, buscando acordos que sejam seguros, equilibrados e diversificados, sem comprometer setores estratégicos.
A reação dos dois países evidencia a divisão interna na União Europeia em torno do acordo com o Mercosul. Enquanto parte do bloco vê o pacto como uma oportunidade para crescimento econômico e ampliação do comércio internacional, outros membros demonstram preocupação com impactos sociais, ambientais e produtivos, especialmente no campo.
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