Arroba subiu em janeiro mesmo com início das cotas chinesas. O que esperar de fevereiro?

O mercado físico do boi gordo termina janeiro de 2026 com registros de preços firmes para a arroba.
De acordo com o analista de Safras & Mercado Fernando Iglesias, após um começo de mês instável, diante das notícias envolvendo as salvaguardas chinesas, o mercado processou as mudanças advindas das cotas de importação e se recuperou.
Vale lembrar que o Brasil poderá exportar até 1,1 milhão de toneladas de carne ao gigante asiático. Volumes que excederem essa marca serão taxados em 55%. A medida, imposta a todos os países exportadores da proteína, vale até 2028.
Conforme Iglesias, ao longo do janeiro, o boi gordo retomou sua trajetória natural de alta nas cotações, influenciado pela demanda aquecida na exportação e a baixa disponibilidade de oferta de gado para abate. “Assim, o mercado fecha janeiro com preços firmes em praticamente todas as praças de comercialização do Brasil”, pontua.
O que esperar em fevereiro?
A primeira quinzena de fevereiro deve ser marcada por incremento de demanda no consumo interno de carne bovina e de um contexto favorável às exportações, considera o coordenador da equipe de inteligência de mercado da Scot Consultoria, Felipe Fabbri.
Segundo ele, o comprador chinês deve acelerar as compras da proteína nos próximos dias por receio de pagar mais futuramente, visto às cotas de importação. “Em nosso entendimento, houve um efeito rebote em relação às exportações para a China. Os Estados Unidos também estão comprando bem, mas a cota já foi praticamente preenchida”, contextualiza.
Fabbri lembra que o Brasil pode exportar até 60 mil toneladas de carne bovina ao mercado norte-americano com tarifa 4,5% menor e, passada essa quantidade, retoma-se a cobrança usual de 27%, que ainda deixa a proteína nacional competitiva por lá.
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“No aspecto de demanda, temos alguns fundamentos que nos ajudam a enxergar um quadro mais altista às cotações no mercado interno e externo. Como ponto de atenção temos a questão do dólar que ao estar mais próximo de R$ 5,15 e R$ 5,20 acaba colocando mais pressão na indústria, achatando a margem. Entretanto, projetamos que a arroba fique próxima ao patamar de R$ 330 até pelo menos o final da primeira quinzena de fevereiro”, considera.
Na questão de oferta, Fabbri destaca que o pecuarista tem conseguido segurar mais o gado graças ao volume “confortável” das chuvas a nível Brasil ao longo de janeiro.
“Há uma candeciação de oferta que também colabora para os preços sustentados em fevereiro. Em relação às fêmeas, os dados do Sistema de Inspeção Federal mostram que houve um pouco de desaceleração ao longo de janeiro. Em algumas regiões o preço do bezerro está em sua máxima, então há um estímulo muito grande para manter essas fêmeas dentro da propriedade na estação de monta, o que também reflete na oferta e, por conta disso, devemos ter um mês de fevereiro com preços bastante firmes”, conclui o coordenador da Scot.
Média do boi gordo: dezembro x janeiro
Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 30 de janeiro em comparação ao final de dezembro de 2025:
- São Paulo (Capital): R$ 332,00, alta de 3,75% em relação aos R$ 320,00 praticados no final de dezembro;
- Goiás (Goiânia): R$ 316,00, aumento de 0,96% frente aos R$ 313,00 registrados no encerramento do mês passado;
- Minas Gerais (Uberaba): R$ 320,00, avanço de 1,59% ante os RS 315,00 do fechamento do mês anterior;
- Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 316,00, sem alterações frente ao preço registrado no final de dezembro de 2025;
- Mato Grosso (Cuiabá): R$ 310,00, valorização de 3,33% em comparação aos R$ 300,00 praticados no encerramento do mês passado;
- Rondônia (Vilhena): R$ 280,00, similar ao preço registrado no final do mês passado.
Mercado atacadista
No mercado atacadista, Iglesias sinaliza que o mês foi pautado também por uma recuperação dos preços pagos pelos cortes do dianteiro e do traseiro bovinos:
- Quarto do dianteiro: precificado a R$ 18,00 por quilo, avanço de 3,15% frente aos R$ 17,45 por quilo praticados no final do mês passado;
- Traseiro bovino: cotados a R$ 26,00 por quilo, aumento de 2,36% perante os R$ 25,40 por quilo registrados no final do mês anterior.
Exportações de carne bovina

As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 1,024 bilhão em janeiro até o momento (16 dias úteis), com média diária de US$ 64,057 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
A quantidade total exportada pelo país chegou a 183,783 mil toneladas, com média diária de 11,486 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 5.576,80.
Em relação a janeiro de 2025, houve alta de 55,4% no valor médio diário da exportação, ganho de 40,1% na quantidade média diária exportada e avanço de 10,9% no preço médio.
*Com informações de Safras News
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