Suinocultura brasileira renova otimismo para 2026 graças a mercado doméstico maduro

A suinocultura brasileira inicia o ciclo de 2026 com equilíbrio operacional e maturidade de mercado, na avaliação da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), entidade que congrega produtores do estado com o maior plantel do país.
Segundo o presidente da Associação, Losivanio Luiz de Lorenzi, mesmo com a retração nos preços pagos ao produtor observada no início de fevereiro, o cenário para a atividade permanece positivo.
Isso porque os fundamentos que sustentam o setor estão consolidados, o que deve garantir a estabilidade das margens ao longo do ano. “A correção nos preços neste primeiro bimestre é um movimento sazonal recorrente do mercado”, pondera.
Expectativas e indicadores de mercado
De acordo com Lorenzi, historicamente o valor do suíno vivo atinge picos em dezembro, impulsionado pela demanda das festividades. Na virada do ano, a recomposição de estoques no varejo e o comportamento mais retraído do consumidor pressionam as cotações.
No entanto, o patamar atual é superior ao de anos anteriores: no sistema integrado, o preço médio subiu de R$ 6,55 para R$ 6,65, indicando uma base de sustentação mais robusta para a cadeia produtiva.
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No mercado integrado e nas cooperativas, as negociações têm ocorrido na média de R$ 6,00, com picos regionais de R$ 6,80. Lorenzi destaca que a expectativa é de uma recuperação gradual das cotações nos próximos meses, à medida que o consumo doméstico se estabiliza e a oferta se ajusta à demanda das agroindústrias.
Desafios e adaptações no setor
O presidente da ACCS considera que, para os produtores independentes, os indicadores de 2025 reforçam a resiliência da atividade. “Com um custo médio de produção de R$ 6,32 frente a um preço de venda de R$ 8,36, o suinocultor encerrou o último ciclo com rentabilidade favorável.”
Segundo ele, no cenário internacional, o Brasil demonstrou alta capacidade de adaptação. A redução nas importações chinesas foi compensada pela abertura e ampliação de mercados estratégicos, como México, Argentina e Japão, com embarques de carne suína que totalizaram 1,51 milhão de toneladas.
Demanda doméstica em ascensão
Na avaliação da ACCS, a aceitação da proteína suína segue em ascensão na população brasileira. O consumo per capita atingiu 20,2 quilos, refletindo os investimentos do setor em qualidade e percepção de valor nutricional.
A competitividade dessa proteína em relação à bovina continua sendo um diferencial importante no varejo, capturando fatias de mercado especialmente em momentos de renda mais pressionada.
Segundo Lorenzi, o otimismo para o restante do ano é reforçado pelo comportamento dos custos de produção. Com a safra de grãos indicando bons volumes, a expectativa é de estabilidade nos preços das rações — principal componente do custo da atividade.
Sob supervisão de Victor Faverin
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