Custos logísticos avançam e consomem 15,5% do PIB brasileiro em 2025, mostra levantamento

Os custos logísticos no Brasil alcançaram 15,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, segundo levantamento do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos). O percentual mostra um avanço expressivo em relação a 2014, quando essas despesas representavam 10,4% da economia nacional.
O estudo “Custos Logísticos e o Impacto nas Empresas Brasileiras”, realizado há mais de duas décadas pela instituição, aponta que a pressão sobre os gastos do setor está diretamente ligada à escassez de investimentos em infraestrutura, ao ambiente de juros elevados e ao aumento das despesas com estoques.
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De acordo com o sócio-diretor do Ilos, Maurício Lima, o descompasso entre crescimento da demanda e expansão da infraestrutura explica parte relevante do problema.
“Nos últimos dez anos, o Brasil transportou 25% mais carga com praticamente a mesma estrutura logística. Os investimentos não acompanharam o avanço do setor, o que pressiona os custos. O país não consegue sustentar taxas elevadas de crescimento quando o custo logístico sobe de forma contínua”, afirma.
Juros e estoques ampliam pressão
Além das limitações estruturais, o estudo destaca o peso crescente das despesas financeiras. As despesas com estoques, por exemplo, subiram de 3% para 5% do PIB desde 2014.
Segundo Lima, o movimento está diretamente associado ao cenário macroeconômico. “A taxa de juros elevada encarece o capital imobilizado em estoques. Desde 2004, os anos em que essa relação foi mais pesada sobre o PIB estão concentrados entre 2022 e 2025.”
O levantamento indica que o ambiente de juros altos amplia o custo de carregamento de estoques, fator que se soma às dificuldades operacionais e de transporte.
Frete sob pressão
O estudo também revela uma distorção relevante no mercado de transporte. Para as empresas contratantes, o frete segue sendo percebido como um custo elevado. Já para transportadoras e operadores logísticos, os preços praticados têm sido insuficientes para recompor margens.
Dados do ILOS mostram que, apesar do aumento das despesas das empresas de transporte entre 2023 e 2024, não houve repasse proporcional aos valores de frete. Em 2025, os preços permaneceram em níveis semelhantes aos do ano anterior.
Na avaliação do especialista, esse aparente equilíbrio pode esconder riscos.
“À primeira vista, a estabilidade dos fretes pode parecer positiva. Porém, observamos operadores logísticos deixando de atuar em determinados segmentos devido à rentabilidade insuficiente. Esse movimento pode gerar gargalos e desequilíbrios no médio prazo”, alerta.
O fenômeno, segundo Lima, já atinge inclusive setores tradicionalmente relevantes, como o transporte de graneis agrícolas. A área registrou crescimento de aproximadamente 17% na produção em 2025, ampliando ainda mais a demanda por serviços logísticos.
Infraestrutura segue como ponto crítico
O levantamento reforça que o transporte continua sendo o componente mais representativo dos custos logísticos no Brasil. A pesquisa considera os diferentes modais — rodoviário, ferroviário, aquaviário, dutoviário e aéreo, além de despesas com armazenagem, estoques e atividades administrativas.
Realizada desde 2004, a pesquisa passou a ter periodicidade anual a partir de 2014 e se tornou uma das principais referências para análise macroeconômica do setor no país.
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