Arroba do boi decolou em fevereiro, mas decisão do governo deve frear preços em março

O mercado físico do boi gordo voltou a se deparar com negociações acima da referência média ao longo da última semana de fevereiro.
Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, a restrição de oferta ainda torna a composição das escalas de abate “bastante complicada”, posicionadas entre cinco e seis dias úteis na média nacional.
“As chuvas no Centro-Norte brasileiro ainda oferecem boas condições as pastagens, possibilitando que o pecuarista cadencie o ritmo dos negócios. Além disso, as exportações seguem em alto nível, sendo o grande elemento de demanda neste início de 2026”, disse.
Variação da arroba na semana
- São Paulo: fechou fevereiro em R$ 354 — iniciou o mês em R$ 332 — (+6,6%)
- Goiás: encerrou fevereiro em R$ 333 — começou o mês em R$ 316 — (+5,3%)
- Minas Gerais: finalizou fevereiro em R$ 338 — estreou o mês em R$ 318 — (+6,3%)
- Mato Grosso do Sul: concluiu fevereiro em R$ 333 — iniciou o mês em R$ 318 — (+4,7%)
- Mato Grosso: terminou fevereiro em R$ 330 — começou mês em R$ 310 — (+6,4%)
Ponto de atenção para março
Iglesias ressalta que no mês de março, o mercado do boi gordo deve ficar atento à decisão do governo brasileiro — que pode sair já na primeira quinzena do mês — a respeito da distribuição das cotas de exportação de carne bovina para a China.
“Ainda não sabemos como e de que forma essas cotas serão distribuídas entre as indústrias frigoríficas que exportam ao mercado chinês. Dependendo de como será feita essa regulamentação, veremos uma desaceleração de vendas para o país asiático, uma vez que desde o começo do ano existe uma corrida de exportadores brasileiros e importadores chineses para abocanhar a maior parte da cota, o que ajuda a explicar a atual alta da arroba do boi”, detalha.
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O analista destaca que o governo pretende escalonar as exportações ao longo do ano para que não hajam meses sem volumes de proteína embarcados, o que deve trazer um freio para as vendas.
“O importador chinês estava com muito apetite de compra no começo do ano, pagando preços muito mais altos pela carne bovina brasileira, que ultrapassava os US$ 7 mil em um ambiente de média a US$ 5,5 mil. Então, com a redução desse apetite, o preço internacional da carne em dólar tende a cair e o movimento de alta para a arroba deve esfriar”, conclui.
Mercado atacadista
No atacado, os preços da carne bovina seguiram firmes ao longo da semana. No entanto, para a última semana de fevereiro, a expectativa é que esses preços não encontrem suporte, considerando a reposição mais lenta em um momento de fraco consumo.
“Vale ressaltar que a carne bovina ainda perde competitividade em relação às proteínas concorrentes, em especial no comparativo com a carne de frango”, ressaltou Iglesias.
Exportações de carne bovina

As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 1,081 bilhão em fevereiro até o momento (13 dias úteis), com média diária de US$ 83,210 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
A quantidade total exportada pelo país chegou a 192,708 mil toneladas, com média diária de 14,823 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 5.613,40.
Em relação a fevereiro de 2025, houve alta de 77,3% no valor médio diário da exportação, ganho de 55,7% na quantidade média diária exportada e avanço de 13,9% no preço médio.
*Com informações de Safras News
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