Saiba quem é Ali Khamenei, líder supremo do Irã
Os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã neste sábado (28). O presidente americano, Donald Trump, anunciou “grandes operações de combate” no Irã, prometendo aniquilar as forças armadas do país e destruir seu programa nuclear. Israel também divulgou ataques contra o Irã.
Apesar de Trump afirmar que o objetivo da ofensiva é “defender o povo americano” do que chamou de “ameaças do governo iraniano”, especialistas ouvidos pela CNN dizem que o intuito é substituir o regime do Irã.
Segundo Américo Martins, analista da CNN, presidente americano chegou a exortar a população iraniana a tomar o poder em um vídeo de oito minutos, evidenciando a intenção de derrubar o atual sistema político-religioso. Benjamin Netanyahu também fez declarações que sugerem o mesmo propósito, com Israel confirmando tentativas de atacar figuras-chave do regime.
Além disso, o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, foi alvo do ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel.
Saiba quem é Ali Khamenei
O aiatolá Ali Khamenei tem 86 anos e está à frente do Irã desde 1989. Ele detém a autoridade máxima sobre todos os ramos do governo, as forças armadas e o judiciário.
Embora os funcionários eleitos administrem os assuntos do dia a dia, nenhuma política importante — especialmente relacionada aos Estados Unidos — prossegue sem sua aprovação. O domínio de Khamenei sobre o complexo sistema de governo teocrático do Irã, combinado com uma democracia limitada, garante que nenhum outro grupo possa contestar suas decisões.
Mas o governo de Khamenei nem sempre foi assim. No início, ele era considerado fraco e um sucessor improvável para o falecido fundador da República Islâmica, o carismático Aiatolá Ruhollah Khomeini.
Por não ter alcançado o status religioso de aiatolá quando foi nomeado Líder Supremo, Khamenei teve dificuldades em exercer o poder por meio da autoridade religiosa, como previa o sistema teocrático.
Após lutar por muito tempo para deixar a sombra de seu mentor, ele se impôs ao criar um aparato de segurança dedicado exclusivamente a ele mesmo.
Khamenei desconfia do Ocidente, particularmente dos Estados Unidos, que acusa de tentar derrubá-lo.
Em um discurso após os protestos de janeiro, ele culpou Trump pela agitação da população, dizendo: “Consideramos o presidente dos Estados Unidos um criminoso pelas vítimas, danos e calúnias que infligiu à nação iraniana.”
Apesar de sua rigidez ideológica, ele demonstrou disposição para ceder quando a sobrevivência da República Islâmica está em jogo.
O conceito de “flexibilidade heroica”, mencionado pela primeira vez por Khamenei em 2013, permite compromissos táticos para alcançar seus objetivos, espelhando a escolha de Khomeini em 1988 de adotar um cessar-fogo após oito anos de guerra com o Iraque.
O apoio cauteloso de Khamenei ao acordo nuclear de 2015 entre o Irã e seis potências mundiais foi outro desses momentos, já que ele calculou que o alívio das sanções era necessário para estabilizar a economia e consolidar seu controle do poder.
Trump abandonou o pacto de 2015 durante seu primeiro mandato, em 2018, e reimpôs as sanções severas contra o Irã. Teerã reagiu violando gradualmente todas as restrições acordadas sobre seu programa nuclear.
Guarda Revolucionária Islâmica
Em momentos de pressão, Khamenei recorreu repetidamente à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e à Basij, uma força paramilitar com centenas de milhares de voluntários, para sufocar a dissidência.
Foram eles que esmagaram os protestos que eclodiram após a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad como presidente em 2009, em meio a alegações de fraude eleitoral. Em 2022, Khamenei foi igualmente implacável ao prender, encarcerar ou executar manifestantes enfurecidos com a morte sob custódia da jovem curda iraniana Mahsa Amini. E foram novamente a Guarda Revolucionária e a Basij que esmagaram a última onda de protestos em janeiro.
Seu poder também se deve em grande parte ao império financeiro paraestatal conhecido como Setad, que está sob o controle direto de Khamenei. Avaliado em dezenas de bilhões de dólares, ele cresceu enormemente durante seu governo, investindo bilhões na Guarda Revolucionária.
Estudiosos fora do Irã descrevem Khamenei como um ideólogo reservado e temeroso de traição – uma ansiedade alimentada por uma tentativa de assassinato em junho de 1981 com uma bomba escondida em um gravador que paralisou seu braço direito.
Segundo sua biografia oficial, Khamenei sofreu torturas severas em 1963, quando, aos 24 anos, cumpriu a primeira de muitas penas de prisão por atividades políticas durante o regime do xá.
Após a Revolução, como vice-ministro da Defesa, Khamenei aproximou-se da Guarda Revolucionária durante a guerra de 1980-88 com o Iraque, que ceifou um milhão de vidas de ambos os lados.
Ele venceu a presidência com o apoio de Khomeini, mas sua escolha como sucessor após a morte do líder supremo foi surpreendente, pois não possuía nem o apelo popular de Khomeini nem suas credenciais clericais superiores.
Karim Sadjadpour, da Fundação Carnegie para a Paz Internacional, afirmou que um “acidente histórico” transformou “um presidente fraco, que antes era um líder supremo também fraco, em um dos cinco iranianos mais poderosos dos últimos 100 anos“.
*Com informações da Reuters.
Como o Irã pode retaliar caso os Estados Unidos ataquem o país?
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/saiba-quem-e-ali-khamenei-lider-supremo-do-ira/
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