É Tudo Verdade seleciona 75 documentários e destaca as trajetórias de Brigitte Bardot, Luis Buñuel, David Bowie e Alceu Valença

É Tudo Verdade seleciona 75 documentários e destaca as trajetórias de Brigitte Bardot, Luis Buñuel, David Bowie e Alceu Valença

Foto: “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai © Carol Quintanilha

Por Maria do Rosário Caetano

O Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade selecionou 75 filmes de longa, média e curta-metragem para sua trigésima-primeira edição, que acontecerá em sete cinemas de São Paulo e Rio, de nove a 19 de abril.

Há, no denso cardápio fílmico, produções mobilizadoras, daquelas capazes de deixar os cinéfilos ansiosos. Portanto, dispostos a lotar as quatro salas paulistanas e as três cariocas que servirão de palco ao festival.

Três filmes, em especial, deixarão a mocidade louca – “Bardot”, de Alain Berliner e Elora Thevenet, sobre BB, sex-simbol do cinema francês; “Memória de Os Esquecidos”, sobre o filme “Los Olvidados”, que projetou Luis Buñuel no mercado internacional, e “Bowie: o Ato Final”, sobre momentos derradeiros do super-astro britânico.

As atrações brasileiras também prometem muito. Se os paulistanos poderão assistir (na noite inaugural do ÉTV) ao filme sobre o roqueiro Bowie, os cariocas curtirão a prata-da-casa representada por Alceu Valença, figura central de “Vivo 76”, novíssimo filme de Lírio Ferreira. Um pernambucano falando de outro.

Outro artista nordestino – o baiano Fernando Coni Campos, diretor de “Ladrões de Cinema” e “O Mágico e o Delegado” – terá sua vida e processos de criação contados por seu filho, o diretor de fotografia Luis Abramo, e por Pedro Rossi.

A cantora Baby Consuelo, “nova baiana” de origem niteroiense, será cinebiografada por Rafael Saar (“Apocalipse Segundo Baby”).

A esses dois filmes se somarão, na competição nacional, mais cinco longas-metragens: “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai, “Sagrado”, de Alice Riff, “Retiro – A Casa dos Artistas”, de Roberto Berliner e Pedro Bronz, “Patrulha Maria da Penha”, de André Bonfim, e “Proust Palimpsesto: Pastiches e Misturas”, do inquieto Carlos Adriano.

Registre-se aqui, que, em seu segundo longa-metragem, o experiente Adriano realiza filme-ensaio disposto a discutir “as possibilidades e impossibilidades de se realizar adaptação brasileira do monumental ‘Em Busca do Tempo Perdido’, de Marcel Proust”.

O cineasta mais cinéfilo do país, quiçá do mundo, participa do ÉTV 2026 com outra obra fílmica – o curta (de 27 minutos) “Sem Título # 11: Um Analecto à Mula”, que buscou na obra do prosador cubano Lezama Lima seus nutrientes. Carlos Adriano está pois na competição brasileira e na mostra Foco Latino. Nutrido pela obra de dois escritores. Um europeu e um caribenho.

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“Bardot”, de Alain Berliner e Elora Thevenet

Na conversa que manteve, no CineSesc, com a imprensa, na manhã dessa terça-feira, 24 de março, Amir Labaki, criador e diretor do Festival de Documentários assegurou que o “estado do mundo”, desse nosso caótico mundo, marcado pela violência das guerras e pelo crescimento dos extremismos, estará refletido nos filmes.

“Os sete longas brasileiros” (nove, se contados os filmes “Vivo 76” e “Zuenir”) — assegurou o curador —  “não são apenas retratos”, já que vão muito além das cinebiografias.

“Os documentários brasileiros que exibiremos esse ano” – detalhou – “também são marcados por tensões sociais e políticas”, já que “transitam entre a micro e a macro-história”. Citou o caso do filme sobre o compositor Alceu Valença, que “gravou seu disco ‘Vivo 76’ no ano 12 da ditadura militar, quando o processo de abertura política apenas se iniciava. E sem colocar fim à tortura, às prisões e à censura”.

Amir Labaki destacou, com entusiasmo (e um pouco de tristeza) as novidades da edição número 31 do ÉTV, o maior festival de cinema não-ficcional da América do Sul:

  • Homenagem à memória do fotógrafo, diretor de fotografia e cineasta José Medeiros (1921-1990), que ilustra o cartaz e todo material gráfico do ÉTV (com bela imagem de ciclista que tem seu vulto esculpido em sombras);
  • Homenagem-trajetória, acompanhada de exibição de filmes e masterclass, a Vivian Ostrovsky, cineasta norte-americana de 80 anos, que viveu no Brasil e também nos EUA;
  • Homenagem (momento de tristeza) a grandes nomes do documentário brasileiro que morreram ao longo do último ano: Jean-Claude Bernardet, Silvio Tendler, Silvio Da-Rin e os jovens, de reconhecido talento, Luiz Ferraz e Rubens Crispin Jr, vítimas de trágico acidente de avião enquanto filmavam no Centro-Oeste;
  • Exibição especial de dois documentários de grande importância para o cinema brasileiro (e nordestino). No primeiro caso, o seminal “Wilsinho Galileia” (1978), de João Batista de Andrade, um dos momentos essenciais da Era de Ouro do Globo Repórter, que acabou interditado pela Censura e esperou décadas até tornar-se conhecido. No segundo caso, “O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto” (1986), do cearense Rosemberg Cariry. Este filme, menos conhecido do que merece, reconta a história de comunidade de seguidores do Beato José Lourenço. Por causa da repressão e paranóia que se seguiram à chamada “Intentona Comunista” de 1935, alguns políticos acharam por bem incentivar o massacre do grupo religioso-lourencista;
  • E, por fim, Labaki contou que nasce, na edição desse ano do ÉTV, o “ÉTVezinho”. Isso mesmo, uma versão para jovens, de nome bem-humorado: É Tudinho Verdade. Ou seja, serão exibidos documentários para o público infanto-juvenil. “Faz-se necessário” – ponderou o diretor do ÉTV – que “filmes documentais sejam apresentados desde cedo aos nossos jovens”. Investir na “formação de público para o cinema documentário é tarefa da qual não podemos abrir mão”.

A seguir, a lista de filmes selecionados para a trigésima edição do ETV:

LONGAS BRASILEIROS

. “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai
. “Sagrado”, de Alice Riff
. “Retiro – A Casa dos Artistas”, de Roberto Berliner e Pedro Bronz
. “Patrulha Maria da Penha”, de André Bonfim
. “Proust Palimpsesto: Pastiches e Misturas”, de Carlos Adriano
. “Fernando Coni Campos: Cada Um Vive Como Sonha”, de Luis Abramo e Pedro Rossi
. “Apocalipse Segundo Baby”, de Rafael Saar

LONGAS INTERNACIONAIS

. “Fordlândia Panacea”, de Susana de Sousa Dias (Portugal) – filmado no Brasil
. “Um Filme de Medo”, de Sérgio Oksmann (Espanha, Portugal) – realizador brasileiro já premiado duas vezes pelo ÉTV
. “Atlas do Desaparecimento”, de Manuel Correa (Espanha)
. “Benita”, de Alan Berliner (EUA)
. “Desfecho”, de Michal Marczak (Polônia)
. “Dezembro”, de Lucas Gallo (Argentina e Uruguai)
. “Entre Irmãos”, de Tom Fassaert (Holanda, Bélgica)
. “Mamãe Está Aqui”, de Adriana Loef e Claudia Abend (Uruguai)
. “Meu Pai e Gaddafi”, de Jihan (EUA, Líbia)
. “Os Olhos de Gana”, de Ben Proudfoot (EUA)
. “Shooting”, de Netalie Braun (Israel)
. “Túmlo de Gelo”, de Robin Hunzinger (França, Suécia, Noruega)

CURTAS BRASILEIROS

. “Os Arcos Dourados de Olinda”, de Douglas Henrique
. “O Dia em que Minha Avó Fugiu de Casa”, de Victor Costa Lopes
. “Divino: Sua Alma, Sua Lente”, de Clea Torres e Gilson Costa
. “Filme-Copacabana”, de Sofia Leão
. “Inquietas”, de Thaina Morais
. “Não Existe Ninja de Pele Preta”, de Erik Ely
. “Natureza Morta”, de Diran Serafim
. “Talvez Meu Pai Seja Negro”, de Flávia Santana
. “Tanaru”, de Júlia Mariano

CURTAS INTERNACIONAIS

. “Bem-Vinda à Casa, Sardas”, de Huijiu Park (Reino Unido, Coreia do Sul)
. “Como Ouvir Chafarizes”, de Eva Sajanova (Eslováquia)
. “Desde que Eles Não nos Encontrem”, de Maja Gorczak (Polônia)
. “Elegia para os Perdidos”, de W. Hong-xiao Wei (Reino Unido, França, Espanha)
. “Se Não Gosta, Não Olhe”, de Margaux Fournier (França)
. “Silêncio azul”, de Matias Rojas Ruiz (Chile)
. “Sonhos de Apagão”, de Licchelli, Lorusso e Settembrini (Cuba, Itália)
. “Todas as Folhas São do Vento”, de Andrea Rabassa Jofre (México)
. “Turno da Noite”, de Megumi Lin (Ucrânia)


Fonte: https://revistadecinema.com.br/2026/03/e-tudo-verdade-seleciona-75-documentarios-e-destaca-as-trajetorias-de-brigitte-bardot-luis-bunuel-david-bowie-e-alceu-valenca/

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