Krugman avalia visita de Trump à China como movimento de fragilidade geopolítica

O economista Paul Krugman afirmou, em artigo publicado nesta quinta-feira (14), que a China enxerga o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como um “acelerador da decadência americana”. Segundo o Nobel de Economia, a ida de Trump a Pequim ocorre em um contexto de enfraquecimento geopolítico de Washington, após desgaste com aliados históricos e sem resultados consistentes na reindustrialização dos EUA.
Na análise, Krugman atribui essa leitura chinesa a três fatores centrais: a perda de capital diplomático dos Estados Unidos, a dificuldade de recuperação da manufatura americana e o avanço da China em setores considerados estratégicos, como energia limpa e tecnologia. Ele afirma que a manufatura chinesa superou a dos EUA há cerca de 15 anos e que a economia do país asiático já ultrapassa a americana em paridade de poder de compra desde 2015.
O economista também sustenta que a política tarifária adotada por Trump contra Pequim não entregou o efeito prometido sobre a indústria dos Estados Unidos. Segundo Krugman, a resposta chinesa, com medidas como restrições a terras raras, expôs vulnerabilidades da economia americana em cadeias industriais e tecnológicas.
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No campo diplomático, o economista cita atritos do governo Trump com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), além de disputas com aliados europeus e com o Canadá. Para ele, esse movimento reduziu a principal vantagem estratégica dos EUA diante da China: a rede de alianças internacionais.
Após essa argumentação, Krugman avalia que Pequim pode oferecer concessões pontuais para beneficiar Trump politicamente, entre elas compras de soja americana e acordos voltados a executivos que acompanham a viagem. Até o momento, porém, não foram divulgados detalhes sobre o conteúdo das conversas nem confirmação de acordo bilateral fechado.
Do ponto de vista comercial, eventual retomada ou ampliação de compras chinesas de soja dos Estados Unidos pode alterar o fluxo global de demanda e influenciar a competitividade entre origens exportadoras. Sem anúncios oficiais, no entanto, o impacto sobre o mercado agrícola permanece indefinido e depende de desdobramentos formais das negociações.
Fonte: Estadão Conteúdo
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