BTG aponta necessidade de interromper corte de juro no próximo Copom

BTG aponta necessidade de interromper corte de juro no próximo Copom

O BTG Pactual avalia que o BC (Banco Central) deveria interromper o ciclo de cortes da taxa Selic já na reunião de junho do Copom (Comitê de Política Monetária), diante da deterioração do cenário inflacionário e do aumentos dos riscos para os preços nos próximos meses.

O relatório afirma que, sob uma leitura estrita dos modelos utilizados pelo BC, praticamente não haveria espaço para novos cortes de juros neste momento.

“As projeções do modelo replicado do Banco Central, utilizando juros Focus, deveriam ser revisadas de 3,5% para 3,64%”, diz o BTG.

Segundo o banco, uma interrupção anterior ao cenário previsto de afrouxamento monetário ajudaria a evitar uma desancoragem adicional das expectativas de inflação e preservaria espaço para uma retomada gradual dos cortes em 2027.

Apesar disso, considerando as comunicações recentes da autoridade monetária, a instituição financeira mantém como cenário-base um último corte de 0,25 ponto, levando a taxa básica de juros de 14,5% para 14,25% ao ano, seguido de estabilidade até o fim de 2026.

Em relatório divulgado nesta terça-feira (2), o banco de investimentos afirma que os fundamentos que sustentavam a flexibilização monetária se enfraqueceram desde a última reunião do Copom.

Segundo a análise, a inflação corrente surpreendeu para cima; os indicadores de atividade econômica, mercado de trabalho e crédito continuam mostrando resiliência; e as expectativas voltaram a piorar, inclusive para horizontes mais longos.

O banco afirma que o balanço de riscos para a inflação se tornou mais desfavorável e lista como fatores “a persistência do choque de petróleo, riscos relacionados às cadeias globais de produção, El Niño forte e possível fim da escala 6×1”.

Na avaliação dos economistas do BTG, a combinação desses choques dificulta distinguir pressões temporárias de movimentos mais persistentes de inflação, exigindo maior cautela por parte da autoridade monetária.

Os dados recentes reforçam essa preocupação, de acordo com os analistas. O PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026, impulsionado pelo consumo e pelos investimentos, enquanto o mercado de trabalho segue aquecido, com desemprego próximo das mínimas históricas e salários avançando acima da produtividade.

As expectativas do Copom também pioraram desde a última reunião. O BTG aponta que a elevação das estimativas para 2028 é especialmente relevante por refletir uma deterioração em um horizonte menos influenciado pelos choques atuais.

Juros altos desencorajam consumo e podem frear economia; entenda


Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/btg-aponta-necessidade-de-interromper-corte-de-juro-no-proximo-copom/

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