Ata do Copom sinaliza corte de juros na próxima reunião

O Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizou o início de um ciclo de redução da taxa básica de juros na próxima reunião, mas destacou a necessidade de manter os juros em patamar restritivo até que o processo de desinflação e a ancoragem das expectativas estejam consolidados.
A avaliação consta na ata da reunião realizada nos dias 27 e 28 de janeiro, divulgada nesta terça-feira (3) pelo Banco Central do Brasil.
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Segundo o documento, a decisão levou em conta um amplo conjunto de informações, incluindo a dinâmica recente da inflação e os sinais mais evidentes de transmissão da política monetária, consideradas as defasagens do instrumento.
“O Comitê julgou adequado sinalizar o início de um ciclo de redução da taxa de juros em sua próxima reunião”, afirma a ata.
Juros seguem restritivos
Apesar da sinalização de corte, o Copom reforçou, de forma unânime, a necessidade de manter a política monetária restritiva.
De acordo com o Comitê, essa postura é necessária até que se consolide não apenas o processo de desinflação, mas também a ancoragem das expectativas de inflação à meta, diante da resiliência de fatores que continuam pressionando os preços, especialmente o dinamismo do mercado de trabalho.
O documento destaca ainda que a condução cautelosa da política monetária tem contribuído para ganhos desinflacionários e reafirma o compromisso do Banco Central com o cumprimento de seu mandato de levar a inflação à meta.
Sem prazos
O Copom ressaltou que a magnitude e a duração do ciclo de distensão monetária serão definidas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às análises.
Segundo o Comitê, o cenário atual ainda apresenta sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica e seus efeitos sobre os preços, o que dificulta a identificação de tendências claras.
Cenário externo e doméstico
No ambiente externo, o Copom avaliou que o cenário segue incerto, em função da conjuntura econômica e da política monetária dos Estados Unidos, com reflexos sobre as condições financeiras globais. O Comitê alertou que esse contexto exige cautela, especialmente para países emergentes, em um ambiente marcado por tensões geopolíticas.
No cenário doméstico, os indicadores apontam, conforme esperado, uma moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda apresenta sinais de resiliência.
A ata destaca que a inflação cheia e as medidas subjacentes continuam mostrando arrefecimento, mas permanecem acima da meta. As expectativas de inflação apuradas pela pesquisa Focus seguem elevadas, com projeções de 4,0% para 2026 e 3,8% para 2027.
Avaliação fiscal
O Comitê voltou a enfatizar que a política fiscal exerce impacto tanto no curto prazo, por meio do estímulo à demanda agregada, quanto no longo prazo, ao afetar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida pública.
Segundo a ata, uma política fiscal contracíclica e que contribua para a redução do prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta.
O Copom alertou ainda que o enfraquecimento do esforço de reformas estruturais, a perda de disciplina fiscal, o aumento do crédito direcionado e as incertezas em relação à estabilização da dívida pública podem elevar a taxa de juros neutra da economia, com efeitos negativos sobre a política monetária e sobre o custo do processo de desinflação.
O Comitê reafirmou a importância de políticas previsíveis, críveis e anticíclicas, destacando a necessidade de maior harmonia entre as políticas fiscal e monetária.
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